A hora das musas

(sobre as alegações orais no processo criminal)

Longe vai a era em que a retórica verdadeira traduzia a ciência de bem dizer sob o signo da Justiça, ou, o que é quase o mesmo, a arte de dizer o adequado a persuadir os juízes no Tribunal pelo discurso, sendo a eloquência em si apenas um modo de falar sem real reflexão. Ou aquele em que a retórica, tendo por objecto o justo e o injusto, e realizando-se através da palavra exata e reta do orador-artífice tradicional, era considerada a mais bela de todas as artes.